QUEM É MATRAGA?

Atualizado: 31 de jan. de 2021

O PEDREIRO que resolveu abrir o bico e contar o que viu e o que vê, fora das paredes rebocadas dos lares brasilandenses.


 

Minha mais nova, Ketellyn, 14, (escolha da mãe), me disse que tinha um tal de FORÔ no Facebook e que nesse trem a gente podia dizer o que desse na telha. Mô-di-dizê é craro. Num tanto fiquei matutando esse negócio na cachola o dia-intirim.


Mais antes tenho que dizer de mim e dizer da gente não é tão fácil quanto dizer do zôto.


Sou Matraga. Tenho 40 e poucos anos, desses mais dá metade foi só de bater laje e levantar parede. Tô recém-separado de Dionísia e os motivos nem vem aqui cabe. Sou bicho que não presta mesmo e não largo minha Pitú, mas não me encrenco não, bebo o que tiver...desde que seja derivado de cana e tenha aquele cheirinho de posto União.


Se digo que não sinto falta daquela desgramada é mentira minha. Juntamo os trapo quando ela tinha a idade de Ketellyn. Sinto falta do resto das cria também: Aninha, 16; Maria Estefani de 17; e João Pedro, 19.


Mas não foi só cachaça que me fasto de Dionísia. Lá em casa dizem que sou muito ignorante e ês tem um cado de razão. Tive só até a quinta série. Ketellyn diz para eu estudar, que a cachola só para de funcionar quando a gente morre, que sempre é tempo de aprender.


Foi assim que ela me fez procurar o meninu magrelo para modo de eu escrever uns trem aqui sobre o que vejo na Brasilândia. Nasci nesse chão e conheço cada palmo. E de lá para cá não mudou muita coisa. A num ser uns barraco que levantei lá para aquelas berada do bairro Porto. É o trem deu uma esticada, aquilo era só mato.


E num é que o trem era verdade, que eu podia dizer as besteiras que carrego nesse cabeça oca. E já tô cansado dessa vida de pô tijolo em cima de tijolo. O Dotô disse que já tô todo entrevado e se continuar nisso o trem só piora. Como esse trem de jornalismo não precisa nem de diproma e quem dirá escrever as palavras certinha. É só enfiar uma palavra difícil aqui e outra ali. Vou investir nesse trem.


Ketellyn tá me ajudando, disse que se eu investir nesse trem vou abrir a cachola. Parar de ser menos rude com as moça lá de casa e de puxar sardinha para João Pedro. Num faço por mal é que ainda tô me acostumado com essas da modernidade. Peço até assim...desculpa prô cês caso de num entender alguma coisa que eu digo.


Meus amigo lá na obra vão dizer que vivo falando mal do nosso pedaço de chão, mas como todo brasilandense tenho aqui comigo essa mania. E nas próxima, caso de Deus abençoa, venho aqui contar mais pro cês do que tô aprendendo com esse negócio de fazer jornalismo e ajudar esse menunu nesse tal de FORÔ.


 

Notas.


Nota¹: texto escrito em brasilandês (sem tradução).


Nota²: aos que questionam o espaço dado a Matraga, por motivo de ser um semianalfabeto. Vocês estão certos, mas não ligamos para essas opiniões contra o nosso colunista.


Nota³: como é sempre bom explicar o óbvio nos dias de hoje, essa editoria é uma sátira.


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