NÃO SE CONSEGUE FAZER NADA EM BRASILÂNDIA DE MINAS

Em horizonte cinzento e terra seca para o novo, Brasilândia mantém os velhos costumes e não dá sinal para a mudança.

 

Quando o FORO nasceu como alternativa para uma evolução informativa de Brasilândia de Minas. Ainda que como uma página no Facebook. Acreditou-se que pudesse fazer algo que realmente impactasse na realidade dos brasilandenses.


A questão de Brasilândia possuir um site de notícias era uma urgência e trabalhei incansavelmente para isso. Pois esperava que a população esperasse essa evolução e carecesse de conteúdo. Errei em ambas.


O FORO, no Facebook, alcança aproximadamente 10 mil pessoas por mês e possui de 4 a 5 mil engajamentos em suas publicações. O que ocorre é que esses engajamentos acontecem fora da página (em grupos esporádicos que servem de “iscas” para atrair seguidores). E desses 10 mil que passam pelo FORO, apenas 1.247 se convertem em seguidores.


Em suma, esses números não são importantes, mas o impacto das publicações ao provocar discursões. Na última semana, com sete dias de site no ar, percebi que é inútil concorrer contra os sites de noticiário policial regionais. O carro chefe para atrair publicidade. Funciona mais ou menos assim: a internet é um oceano, as pessoas são os tubarões e o sangue (notícias policiais) atraí os tubarões (pessoas); mas é preciso que esse sangue se espalhe mais rapidamente para que mais tubarões sejam atraídos e quanto mais tubarões, mais publicidade e é assim que funciona o papel dos meios de comunicação, levar esse sangue o mais longe possível.


Agora porquê é inútil e inviável concorrer contra esse tipo de jornalismo.


Como não temos sangue, nem mecanismo para prestar esse serviço; pois é preciso equipe e para ter equipe é preciso dinheiro e dinheiro é tudo que não temos. Já que para tê-lo é preciso publicidade, que depende do sangue. O FORO sobrevive e aposta em outras formas de se manter, política e cultura, considera-se apenas política pois estão todos pouco se lixando para cultura.


Se o site resiste é por causa dessa pauta. Mas como fazer jornalismo-político em uma cidade que tem os olhos tapados para as ações de seus gestores, deuses sagrados? Simples, o site em vez de mostrar ações, na visão destes, parecerá mais um opositor do que qualquer outra coisa (tá aí mais um motivo para a baixa conversão em seguidores comparado ao número de alcance). E como o FORO não abre mão do pé-de-briga e nada nunca foi deixado de ser falado por incomodar esse ou aquele. Segue-se na mesma toada.


Outro caso são os vereadores. Um vereador que mostra o seu trabalho terá suas pautas diminuídas e com a alcunha de que “quer-se aparecer” e o que mal aparece será o “faz nada, mama na teta do caralho”. O que a população quer é um motivo para reclamar, para se mostrar insatisfeita, sem ação. Há vereadores que trabalham e sabe-se quem são e há os que...nem precisa-se dizer. Mas o político ruim se cria apenas em lugares que não são cobrados da maneira correta. É como um filho mimado, você o educou mal e terá que colher as consequências.


Não se consegue fazer nada em Brasilândia. Nada parece brotar dessa terra seca há não ser a cana da BEVAP. Os inúmeros projetos e ações que o FORO tentou promover, e tenta ainda, perecem. A inercia da população mata qualquer ação de qualquer um que seja. Talvez a visão que tive do FORO, um espaço de liberdade, um jornalismo comunitário feito pelos jovens, adultos e velhos brasilandenses. Longe do monopólio do debate político que encontramos. Talvez tudo isso foi e seja um sonho distante. É inútil! Digo isso ao dois ou três que me leem. Nada se consegue fazer em Brasilândia e o jornalismo-independente-local resiste enquanto ainda há forças para escrever.


 

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