A VIOLÊNCIA DA DESEDUCAÇÃO, EU OUÇO RACIONAIS E NÃO SEI O QUE DIZ

Artigo, por: Gustavo Rubim.

 

Esse artigo será tão curto quanto pode ser a vida de um jovem brasilandense. Vamos, eu sei que você consegue ler mais que um parágrafo [essa frase, ainda que não pareça, é desprovida de doses motivacionais]. O jovem, por si, pensa ser sabedor de todas as coisas, ainda que não saiba de porra nenhuma e de que não leia porra nenhuma para afirmar seu conhecimento ou a ilusão de conhecimento, até porque a base de informação desse jovem vem do que ele vê pela tela de um aparelho celular. Ele retém mais coisas desse rolar de dedos do que o que a professora anota inutilmente com o pincel no quadro branco. O jovem cultua a ignorância como charme, ele quer transar, atrair garotas, e a dedicação a algo é um retardamento de sua ejaculação. Por isso, ele traveste a carapuça de Zé Droguinha, para parecer mais interessante, e esquece de tirá-la. Mas a questão é mais profunda, uma profundidade que não pretendo chegar por preguiça de escrever e por consequência de que escreverei inutilmente, como no caso dos professores.


O jovem brasilandense não é muito diferente do jovem convencional brasileiro. A violência de Brasilândia é fruto da deseducação, em oito anos, de tal candidato, quatro de outro, mais quadro do primeiro, mais oito de-novo-outro [e por aí vai]. Estavam todos cagando para a Educação e a Cultura e o Esporte, que ainda segurava as pontas, desapareceu, agora volta a caminhar, mas o estrago já foi feito. Uma cidade com menos de 20 mil habitantes ter o número de homicídios de Brasilândia é assustador. E essa culpa já é parte da ignorância dos adultos, principalmente da casta política brasilandense, feita sempre pelos mesmos, por falta de atrevimento da juventude, e quando vêm os representantes da juventude, são tão antigos como os que lá estão. São como essas organizações que surgem, com propósito de renovação e acabam aliadas aos mesmos grupos, que trocam de acordo com a conveniência.


Não há esperanças. Não tenham esperanças, eles sempre continuarão no poder, graças ao voto da população, sempre a troco de um saco de cimento, de uma conversa fiada. E o jovem também está cagando para isso, como caga para tudo fora do vaso sanitário. Ele quer aproveitar o fim de semana, conservar sua malandragem, ouvir Racionais Mc's sem saber o que ouve, como quando diz a letra de Mágico de Oz,


Moleque novo que não passa dos 12

Já viu, viveu, mais que muito homem de hoje

Vira a esquina e para em frente a uma vitrine

Se vê, se imagina na vida do crime

Dizem que quem quer segue o caminho certo

Ele se espelha em quem tá mais perto


Crê que isso faz algum sentido?, quantas vezes escutam isso com o rabo cheio de droga e nem sequer param para entender a contradição que há no ato que pratica e no que escuta, não existe exercício de reflexão na cabeça do jovem, tudo para ele é imediato e superficial, tudo em sua mão dura quase nada. Ouve Racionais Mc's pelo status de malandragem, não pelo prazer de escutar poesia. Assim como muitos maconheiros escutam Bob Marley, sem saber o que escutam, Bob que cantou o amor e a revolução dizia, em Redemption Song,


Emancipem-se da escravidão mental

Ninguém além de nós mesmos pode libertar nossas mentes

Não tenham medo da energia atômica

Porque nenhum deles pode parar o tempo


Cantou para ninguém escutar.


Se desejam uma cidade pacífica, apoiem as Escolas, a Escola é a única esperança, que devia ser um espaço eternamente aberto, de Arte, Cultura e Esporte, e ela faz sua parte, a coisa é que não se expande para fora. Onde estão os espaços culturais, o incentivo aos artistas locais, o teatro que podia ser desenvolvido nas praças. Praça é lugar de Arte, não de gente usar droga. Na Grécia Antiga, era lugar de debate, de discussão de ideias, as ideias que nos faltam nos dias de hoje. A barreira da intelectualidade é ilusória, um pedreiro pode ter ideias mais geniais que um doutor, doutor de verdade, que faz doutorado, não os autodeclarados doutores, esse são um poço ainda mais fundo, com ideias ainda mais raras e rasas.


A verdadeira violência é essa, de dar um soco no estômago da sociedade.


FIM.


Autor: Gustavo Rubim.

 

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